A Mensagem das Células

Se pudéssemos observar com mais atenção o funcionamento integrado do corpo humano, perceberíamos que suas células nos oferecem uma poderosa lição de vida. Elas nascem, se renovam e se doam continuamente para o bem do sistema como um todo, sem questionar, sem exigir reconhecimento, apenas cumprindo seu papel na grande engrenagem da Vida.

Muito do que admiramos nos livros — solidariedade, compaixão, altruísmo — permanece, muitas vezes, apenas no campo da intenção. Postergamos sua vivência concreta, como se o bem pudesse esperar. As células, porém, não adiam: elas se entregam para que o corpo permaneça apto a cumprir o propósito maior da alma.

Assim como as plantas realizam a fotossíntese por pura fidelidade à natureza, nossas células trabalham para que a Vida se manifeste em plenitude. Elas nos lembram que servir não é sacrifício, mas vocação essencial da existência. Quando o conjunto perde a harmonia, o desequilíbrio atinge inevitavelmente cada parte.

“Dilatai a fraternidade e chegareis das aflições individuais às solidariedades coletivas”
(Rui Barbosa)

O egoísmo — causa profunda de tantos males — rompe esse padrão de doação contínua. Quando a mente se fecha em si mesma, surgem emoções desordenadas e comportamentos que corrompem o equilíbrio do microcosmo humano. O câncer, nesse sentido, torna-se um símbolo extremo: a célula que cresce apenas para si, esquecendo-se do todo, até comprometer a própria vida que a sustenta.

Não basta remover os efeitos se as causas permanecem intactas. Se uma transformação real da consciência não ocorre, é utópico aspirar pela cura definitiva da enfermidade, pois o sistema tende a adoecer novamente.

O mesmo padrão se repete na sociedade. A fome, a miséria, as guerras e a corrupção refletem o homem centrado em si mesmo, incapaz de perceber que todos somos elos de uma única corrente chamada Vida. Onde o egoísmo se instala, os recursos deixam de circular, como artérias obstruídas em um organismo doente.

Ainda assim, cada gesto de generosidade possui força curativa. Pequenas ações realizadas com grande amor funcionam como células saudáveis, silenciosamente combatendo a infecção sistêmica.

A verdadeira mudança nasce do alinhamento com a alma — fonte da sabedoria, da justiça e da generosidade. Ao alinharmos nossos pensamentos, sentimentos e ações Àquilo que nos chega no silêncio do ser, ajudamos a restaurar o padrão original da Vida em nós e, por ressonância, no mundo. E é dessa conexão que surge a percepção de unidade e pertencimento à Vida.

Como células conscientes, podemos servir à vida com humildade e amor, ajudando a orientar o que é dissonante em direção à Harmonia e à Beleza. Quando abandonamos preconceitos e alinhamos nossas forças interiores ao bem comum, estamos cumprindo nosso efetivo papel como ser humano.

Assim como a árvore que renova suas folhas, o ser humano também pode florescer no caminho do bem — e cada pequeno gesto, no tempo certo, faz germinar as sementes da transformação.

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