• Guie-se pelo Coração

    “A visão só se torna clara quando olhamos para o nosso próprio coração. Quem olha para fora, sonha; quem olha para dentro, desperta”
    (Carl Jung)

  • Os barcos sobem com a maré

    Há momentos em que a travessia parece mais difícil.

    O vento muda de direção, trazendo uma sensação tênue de perigo. A chuva fina e a névoa baixa turvam a visão e, de repente, anoitece — como se perdêssemos a bússola do coração.

    Que fazer quando a mão já não sustenta o leme?

    De onde encontrar forças para reencontrar aqueles momentos de enlevo, de alegria serena, quando tudo parecia fazer sentido e as respostas brotavam naturalmente da alma?

    É justamente nesses instantes — quando os joelhos se dobram e o ego, enfim, se rende — que a Luz encontra passagem. Basta um breve rasgo luminoso atravessando a escuridão para que a direção volte a ser percebida. O coração se aquece. Uma paz inesperada surge em meio à turbulência.

    A Graça sempre chega. Na verdade, ela jamais se ausenta; somos nós que, por algum tempo, deixamos de percebê-la.

    Ela não responde a méritos, nem às lógicas humanas de justiça. Apenas se revela quando reconhecemos o poder silencioso da Presença.

    Às vezes, chega disfarçada: numa palavra que contém apenas o essencial, num abraço que nos devolve à pureza e à bondade, num gesto simples que desperta a alma. Por vezes, basta um olhar para que a consciência volte a se iluminar.

    Então compreendemos algo precioso: nossa travessia nunca é apenas nossa.

    Assim como os barcos sobem com a maré, a consciência também se eleva coletivamente.

    A maré nunca sobe para um barco apenas. Quando as águas se elevam, todas as embarcações ancoradas na mesma enseada ascendem em silenciosa harmonia, ainda que nenhuma delas perceba o movimento da água.

    Assim acontece com a expansão da consciência. Sempre que um ser humano desperta para a realidade interior, uma onda sutil se propaga além dele. Ela alcança aqueles que compartilham o mesmo campo de experiência, tocando-os sem esforço, apenas por ressonância. Cada centelha de lucidez acesa em nós transforma-se em luz disponível para todos.

    A ampliação da consciência não é uma conquista solitária; é uma maré.

    Quando a alma assume o governo da vida, sua luz deixa de pertencer apenas àquele que a acolheu. Como a maré que sobe sem escolher embarcações, ela também eleva, silenciosamente, todos os que navegam nas mesmas águas.

    Envie seus comentários
    Livro Pedra no Lago
    Instagram
    Canal Youtube

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *