• Fora de Ti nada existe …

    “Buscamos em todos os lugares santos, quando o mais sagrado de todos os lugares está dentro de nós. Olhei então para o meu coração e foi aí, onde Ele habita, que O vi; Ele não pode ser encontrado em nenhum outro lugar. Vagamos de um quarto para o outro buscando o colar de diamantes que já está no nosso pescoço.

    Tu, que és um exemplar do arquétipo divino; tu, que és o espelho da beleza real; fora de ti nada existe … O que queres, busca-O em ti mesmo, pois tu és tudo”
    (Rumi)

  • Já parou para pensar …

    Que, em meio aos dias acelerados, a mente não descansa e passamos a viver no modo automático. Entre compromissos e notícias, raramente paramos para algo essencial: perceber como estamos vivendo por dentro. Nesse movimento apressado, deixamos de notar a vida pulsando em nós, querendo revelar seus segredos. Há uma abundância espiritual disponível, contudo seguimos pela vida sem perceber a fonte que silenciosamente nos sustenta.

    Que, em meio ao caos e às inquietações do mundo, temos a oportunidade de viver de forma consciente do ser espiritual que somos. Existe a chance de resgatar a Pureza e a Bondade originárias, aquelas que se manifestavam na infância, quando olhar para o céu noturno despertava o senso do sagrado e a certeza de uma Inteligência maior sustentando tudo.

    Que é possível, ainda que por breves instantes, viver sem as amarras dos condicionamentos, sob a égide do Ser, escutando Sua voz silenciosa que orienta, inspira e pavimenta caminhos mais seguros do que aqueles traçados apenas pela mente inquieta.

    Que, em meio ao burburinho e à turbulência do cotidiano, dispomos de uma poderosa ferramenta — o Silêncio. Ele nos conecta a uma região interna de quietude e paz, de onde emana uma sabedoria que percebe o Todo e sussurra a melhor postura diante de cada situação, muito além da lógica e da razão.

    Que, em meio à dor e ao sofrimento, Algo pulsa dentro, oferecendo exatamente os ensinamentos de que necessitamos para a elevação da consciência. A ideia de injustiça ou de não merecimento nasce, muitas vezes, de uma visão parcial e fragmentada da vida, fazendo-nos perder a oportunidade de renovação por meio das provas.

    Que, em certos momentos, quando a vida começa a se revelar, uma fenda se abre no labirinto. Algo se aquieta por dentro e sentimos, no âmago, quão bela é a existência. Surge uma chance de redenção, de equilíbrio e de resgate. Uma paz sem causa se instala — e, com ela, a gratidão que abraça todo o ser.

    Que o maior dos males talvez seja o egoísmo — o pensar excessivamente em si mesmo em detrimento do bem coletivo. O egoísmo é como uma erva daninha que precisa ser extirpada do jardim interior, pois dele nascem os apegos, a competição, o medo e a sensação ilusória de falta e de escassez.

    Que a miséria e o desequilíbrio no mundo se manifestam quando o rio da vida é represado, impedindo que seus afluentes sejam irrigados. Ainda assim, há sempre a possibilidade de sair da prisão dos condicionamentos para a liberdade do Ser; sentar-se no trono do Eu e, desse lugar, perceber a ilusão dos apegos que carregamos e sentir, com clareza serena, que há Algo muito além das aparências — um saber íntimo que nos recorda o caminho de retorno à nossa verdadeira Morada.

    Que estar consciente da própria encarnação talvez seja a maior bênção e, também, o maior desafio diante da densidade da matéria que nos envolve. Buscar incessantemente o Amor e a Verdade do Ser, como quem busca o ar para respirar, e expressá-los no cotidiano, eis um caminho para trazer luz à obscuridade que nos cerca. Uma pequena vela pode acender muitas velas e, nesse reconhecimento íntimo, perceber que somos parte de um imenso facho de luz.

    Que, como uma pequena pedra no lago, podemos ser íntegros àquilo que nos chega pelas vias intuitivas — isso é honradez. Essa obediência silenciosa ao Ser faz uma enorme diferença nas relações interpessoais, na família, na comunidade, … e na sociedade. Quando assim vivemos, a lâmpada permanece sempre acesa, não como imposição ou desejo mental, mas como intenção silenciosa, natural, que nos guia.

    Que buscar e praticar, ainda que no plano das intenções, já remove muitas das vendas que obscurecem a visão. Passamos, então, a perceber que somos contas do mesmo colar, expressões humanas de uma única Vida.

    Que somos, em essência, Um com o Todo.

    Em Irmandade!

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