• Guie-se pelo Coração

    “A visão só se torna clara quando olhamos para o nosso próprio coração. Quem olha para fora, sonha; quem olha para dentro, desperta”
    (Carl Jung)

  • Ponto de Partida – A direção da vida começa no coração

    Há momentos em que temos a sensação de que a vida perdeu a direção.

    A mente não para. Os pensamentos se repetem. As dúvidas aumentam. Tentamos encontrar respostas analisando cada detalhe, imaginando todos os cenários possíveis, antecipando o futuro. Quanto mais pensamos, mais exauridos ficamos.

    Talvez você também já tenha passado por isso.

    Curiosamente, é justamente nesses momentos que descobrimos um desafio que parece quase impossível: olhar para dentro de nós mesmos, mas sem recorrer às descrições da mente. Sem rótulos. Sem julgamentos. Sem nos reduzirmos aos nossos comportamentos, aos nossos medos, aos nossos conceitos de sucessos ou fracassos.

    Enquanto nos percebemos apenas por meio das experiências vividas e das interpretações da mente, nos deparamos com um ser incompleto, fragmentado e imperfeito. Se insistimos nessa prática, passamos a acreditar que somos nossas limitações.

    Passamos a vida procurando portas do lado de fora. Buscamos respostas nas circunstâncias, nas pessoas, nas conquistas e até nas certezas que a mente tenta construir. Não deplore o caminho, saiba que existe uma porta que quase sempre esquecemos de procurar: aquela que se abre para dentro.

    Em nosso interior temos uma espécie de refúgio, uma dimensão mais elevada de consciência que permanece intacta, mesmo quando tudo ao redor parece desmoronar. Lá, encontraremos as respostas, o propósito, o próximo passo, a segurança, … tudo, enfim.

    Não existe um método para alcançá-la. Não há regras, exercícios ou técnicas capazes de produzi-la, porque ela nunca esteve ausente. Esse é um dos grandes paradoxos da vida: procuramos aquilo que jamais perdemos, porque sempre nos pertenceu.

    O caminho consiste em RECONHECER aquilo que sempre esteve presente: o nosso Ser Essencial — sem formas, sem rótulos, sem identificações.

    O fato é que existe uma pergunta que a mente não consegue responder: quem sou eu quando todos os meus papéis sociais silenciam? Quem sou eu sem os atributos do eu pessoal, sem o crachá no peito? É aqui que a quietude e o silêncio se revelam grandes mestres.

    Não o silêncio das palavras, mas o silêncio interior. Aquele que pode existir até mesmo no meio do trânsito, do trabalho e dos compromissos do dia. Um silêncio que não foge da vida, mas permanece presente nela.

    É nessa quietude que começamos a perceber uma bússola diferente. Ela não nasce do medo. Não nasce da obrigação. Não nasce apenas da moral ou da ética. Ela surge do coração, esse centro silencioso onde verdade, amor e consciência se encontram.

    Quando aprendemos a escutá-lo, a vida parece voltar a respirar dentro de nós. As respostas chegam.

    Então, sem esforço, a própria existência começa a dissolver as camadas de medo, orgulho e ilusão que obscurecem a Luz do Ser, como quem remove, pacientemente, a ferrugem de um metal precioso até que ele volte a refletir a luz.

    Talvez seja por isso que, nos momentos em que tudo parece incerto, a pergunta mais importante talvez não seja “Para onde devo ir?”, mas “A partir de onde estou escolhendo caminhar?” A resposta não nasce da mente. Ela amadurece no coração.

    “Não dependa da mente para libertar-se. É a mente que o levou à prisão.
    Vá além dela”
    (Nisargadatta Maharaj)

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