O Silêncio que Fala

Beethoven’s Silence-Ernesto Cortazar

1. O Estado de Solitude

Há um silêncio que sufoca — o da ausência de diálogo, o da dor não dita, o medo das vulnerabilidades não expressadas. Mas há também um silêncio que liberta: aquele que, finalmente, nasce da escuta interior.

Não é o silêncio imposto pela solidão, mas o que surge do estado de solitude, que é o encontro tranquilo com quem somos, quando as vozes do mundo se calam e a mente apenas observa de um ponto mais elevado da consciência.

Estar consigo mesmo é uma prática diária.
Acostumados ao ruído externo, tememos a quietude como se ela fosse um vazio, um “não fazer” sem propósito.
Mas o verdadeiro silêncio não é vazio. É pleno de Presença.
É nele que a alma fala com a autoridade do Ser, que se revela sem urgência e sem promessas.

Quando esse estado de quietude se instala, ocorre a verdadeira conexão com o fluxo natural da vida. Passamos a seguir a intuição, livre de apegos e medos.

Quem aprende a estar em paz consigo mesmo, a desfrutar da própria companhia, conhece a lucidez e ajusta seus passos à luz da sabedoria interior.

No estado de solitude, o “eu” se funde no oceano do Amor, da Paz e da Plenitude.
O essencial se revela, e um suave estado de comunhão com o Todo se manifesta.

2. Práticas

Hoje, reserve um momento para encontrar a paz que tanto deseja.

Ofereça a si mesmo alguns minutos de solitude verdadeira.
Desligue os ruídos, as telas e as vozes da mente.
Apenas observe.
Seja o espectador de si mesmo.

Não tente meditar, nem buscar resultados.
Se a mente reclamar e os corpos se agitarem, fique.
Apenas esteja. O tempo que for.

Observe o corpo, a respiração, os pensamentos que vêm e vão.
Se o incômodo aparecer, acolha-o com serenidade, sem se envolver, sem julgamentos.
Ele é apenas o eco antigo querendo ser ouvido.

Permaneça ali.
Não espere nada.
O silêncio se expandirá, e dentro dele algo se revelará sem palavras: talvez uma paz sutil, uma bondade que traz o perfume da alma, um inusitado sentimento de gratidão em meio às provas.
O que vier desse estado são acréscimos, dádivas do mundo interior se revelando ao mundo.

3. Terapêuticas

3.1 Respiração Consciente

Traga sua atenção para a respiração. Inspire suavemente pelo nariz, contando lentamente até cinco.
Retenha o ar por alguns instantes.
Expire, também pelo nariz, contando novamente até cinco.
Permaneça por alguns segundos sem ar nos pulmões e, então, recomece.
Repita o ciclo oito vezes.

A prática da respiração consciente acalma a mente, melhora o funcionamento do organismo e é especialmente útil em casos de ansiedade, nervosismo, tensão, medo ou dor.
Mesmo um único ciclo bem feito pode aliviar dores de cabeça e esvaziar o conteúdo mental, de forma natural.
Pode ser repetida quantas vezes forem necessárias.

Observação: é normal sentir leve tontura durante a prática, devido à oxigenação cerebral e à eliminação do gás carbônico residual dos pulmões.

3.2 Plantas Medicinais

Prepare um chá de camomila — ele tranquiliza a mente inquieta e suaviza o barulho interno.
Um chá de canela aquece e traz doçura ao próprio processo.

Para aromaterapia, coloque uma gota de óleo essencial de capim-limão em um difusor ou na palma das mãos. Inspire o aroma suavemente: ele acalma, alivia e acolhe.

3.3 Material de Apoio

“E se você fizesse sua mente trabalhar a seu favor?” – essa é uma pergunta-chave do livro “O Poder das Perguntas”, da autora Shely Pazzini.

Citações de Eckhart Tolle sobre “Quietude e Silêncio”.

* Orientações de Shely Pazzini, Bióloga, Master em PNL (Programação Neurolinguística) e Terapeuta em Neuroaprendizagem. Conheça mais sobre a autora em “Gotas de Luz”.

4. Para Lembrar

O silêncio não é ausência, nem mutismo. É plenitude.
É nele que o Ser se reconhece.
Quando a mente se aquieta, a alma respira.
E, no intervalo entre um pensamento e outro, a Vida se expressa.

No silêncio, conhecemos a Presença e o sentido de unidade com toda a vida manifestada.
A paz se dá, em quaisquer circunstâncias que estivermos vivendo.
E o verdadeiro som da alma só se ouve quando a mente silencia.

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