É Tempo …

É tempo de recolher-se, cada vez mais,
não como fuga, nem escapismo.
Encontrar o silêncio que brota do profundo, sem nada querer.
Ali permanecer, imóvel, à espera da voz
que vem da outra margem do ser.
Ela nos guiará nas noites sombrias, até o novo amanhecer.

É tempo de ouvir a voz interior,
sussurro sereno que nasce no centro do peito.
Não grita, não impõe, apenas mostra o caminho.
Quem silencia, escuta.
Quem escuta, sabe.
E quem sabe… confia.

É tempo de honrar a jornada,
de reconhecer o milagre da Existência.
De entregar-se à vontade silenciosa do Eu Maior.
Confiar no invisível como quem confia na aurora.
A verdadeira força nasce da rendição,
e a grandeza floresce no coração
que diz “sim” ao que já É — muito além da razão.

É tempo de desapegar.
Deixar ir o que já cumpriu seu ciclo,
o que não nos pertence mais.
Soltar não é perder, é libertar.
É abrir espaço para o novo tempo que pulsa sob as aparências.
É sentir esse sopro da Vida penetrando em cada célula.
Permitir que a alma respire em paz.

É tempo de relacionar-se pelas vias do coração.
Desatar os nós, soltar as amarras,
ver no outro a essência da Vida: o imutável, puro e imaculado.
Ver-se a si mesmo com esse valor, com essa dignidade.
Dessas relações nascerão as bênçãos do perdão
e o milagre silencioso da renovação.

É tempo de semear a paz,
semente que germina no peito,
e floresce no silêncio.
Expande-se, ressoa no universo, equilibra a insensatez,
desperta códigos de luz adormecidos,
resgata nossa humanidade e nossa honradez.

É tempo de perdoar,
de reconsiderar,
de ter compaixão,
de sentir a dor do outro como a de um irmão,
de resgatar elos perdidos,
de perdoar-se.

É tempo de servir,
de expressar os dons do espírito,
de unir-se à Irmandade
e com Ela permanecer em unidade.

É tempo de amar, não com o amor humano,
mas com o Amor que nasce da chama do espírito.
Arde como brasa, cicatriza as feridas, cura o egoísmo.
Amor sem fronteiras, que enobrece,
constrói pontes, edifica o Coração
e nos conduz para além da escuridão.

É tempo de renovar, como a terra que se oferece à chuva.
Libertar-se das máscaras, regressar à essência.
Ser quem se É — sem medo, sem disfarce, sem vernizes,
como a flor que desabrocha sem pedir licença.
Na liberdade de ser,
a alma reencontra seu Propósito.

É tempo de deixar fluir, sem represar.
O melhor de si precisa nascer.
Colaborar com o mundo é amar,
transmutar a ignorância pela sabedoria do Coração.
Ele sabe o instante exato de conduzir-nos
de volta à pureza original,
à bondade virginal,
à nossa luz essencial.

Pai, conduz-me à Verdade do meu Ser.
Revela-te a Ti mesmo!

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