Seja Luz – Ilumine Desapegado de Si Mesmo

Diz um aforismo japonês: “A escuridão reina na base do farol.”

À primeira vista, a frase soa paradoxal. Afinal, o farol é a fonte de luz que guia os navegantes, mas aos seus pés tudo permanece na sombra. Talvez assim também seja conosco. Muitas vezes, não percebemos o bem que fazemos. Nosso olhar, alimentado pelo ego, se fixa no resultado concreto, na meta alcançada, e se esquece do processo silencioso de simplesmente ser.

O desafio é justamente esse: servir sem esperar reconhecimento, agir sem apego ao fruto, deixar-se guiar pela vida como ela é. O Ser nos convida a uma entrega onde a preocupação com o resultado perde sentido. É um chamado à confiança, ao exercício da fé de caminhar no deserto árido, certos de que a Luz surgirá como um oásis a saciar nossa sede de sentido e plenitude. Ainda que o calor escaldante e o cansaço da jornada nos enfraqueçam por instantes, é na perseverança que vamos erguendo um templo firme, onde nem mesmo as rajadas de vento nem o frio das noites conseguem nos desestabilizar.

José Trigueirinho nos lembra de que “quem conduz a chama não percebe a própria luz; caminha na escuridão, mas pleno de fé.” O verdadeiro farol não precisa contemplar a claridade que projeta; sua missão é iluminar a travessia de outros.

Para que essa luz se manifeste, é preciso desapegar-se da mente que calcula, dos padrões que exigem méritos e provas. O serviço verdadeiro acontece quando tocamos a alma do outro, sem intenção de mostrar ou provar e sem que o ego interfira. Quando a vaidade espiritual se acercar, lembrar de que não se trata de brilhar, mas de iluminar.

É no silêncio da entrega, no fluxo natural do Ser, que a Luz Maior se expressa. E quando nos deixamos conduzir por ela, mesmo que nossos pés permaneçam na sombra, o caminho de muitos outros se abre à claridade.

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