Subitamente, as vozes na mente cessam. Com elas silenciam também as justificativas, as desculpas, as opiniões alheias e as mensagens imaginárias construídas na cabeça. Dissolvem-se as preocupações, o desejo de aprovação e os apegos que nos aprisiona.
As impurezas vão sendo decantadas suavemente da estrutura molecular das células, como se fôssemos um tonel de água barrenta que se autopurifica. Aos poucos, o que é denso se assenta, e a clareza emerge. O bem, que sempre esteve ali, levanta-se do fundo e varre da mente aquilo que já não corresponde ao atual estado da consciência.

Eis o grande desafio: deixar que as máscaras caiam e permitir-se ser conduzido pelo Eu Superior. Sentar-se no Seu trono e, a partir dele, contemplar a vida de outro ângulo — vendo o sagrado revelar-se nas pequenas coisas, nos afazeres cotidianos, nos relacionamentos. Então, percebe-se a saída do labirinto mental e emocional.
O silêncio fala por si, e cria as condições para que a paz fique. Tudo se torna diminuto diante do Amor, que agora pede passagem. O ego ainda resiste, mas já não tem força suficiente para impedir o transbordamento da essência. Ela flui como cerejeiras em flor na primavera, como a nascente cristalina que brota do seio da terra, como flores raras que desabrocham em pleno deserto.
E nesse instante de consciência plena, tudo ganha sentido. Uma saudade de algo que parece querer revelar-se a qualquer momento. Um amor profundo, instantâneo e fugidio. Um sentimento de que toda uma vida valeu a pena ter sido vivida.
“Limpa teu coração dos velhos rancores, lava-o sete vezes e serve o vinho do Amor; torna-te o Amor.”
(Rumi)

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