O Trono da Dignidade

O Trono da Dignidade
– A Escolha Interior –

Dignidade é permanecer fiel à voz que brota do mundo interior. É como se existissem dois tronos: o da mente — inquieta e limitada — e o do Eu Superior, a centelha divina. Quando nos assentamos nesse trono essencial, tudo se torna límpido: o horizonte se descortina, como quem atinge o cume de uma montanha e contempla, em silêncio, a vastidão.

Mas como sentar-se nesse trono divino? À primeira vista, parece utopia. Exige ousadia — a ousadia de ser quem se É. É preciso provar, ainda que por um instante, o desafiador remédio da entrega e da aceitação.

Entregar-se é reconhecer os limites da lógica e da razão e, dali em diante, saltar de olhos abertos no abismo do desconhecido. O medo se aproxima, o desencorajamento ousa nos visitar — mas a impotência não passa de sombra. Quando bater à porta da mente, não a atenda.

Aceitar a si mesmo, aceitar os fatos e situações da vida, é chave para o despertar. Aceitação não é resignação, nem passividade; é reverência. Com louvor no coração, acolher até o que nos parece adverso nos conduz a um patamar mais alto de consciência, libertando-nos do redemoinho dos pensamentos negativos e da provação incessante.

“Não tentes exterminar as forças que te acossam. Uma só chispa do fogo interior é capaz de dissipá-las. Entrega-te ao fogo e ele fará por ti o que não podes fazer”
(José Trigueirinho)

A gratidão pela Graça de viver consciente da própria vida em si transcende o conceito ético de dignidade. Ser digno é permitir-se viver uma vida pautada pelo espírito; contudo, é preciso ousar cruzar o abismo do imponderável. Requer coragem!

No fundo, já sabemos: a força não vem de fora; arde em nós como brasa escondida. Mas as cascas duras dos condicionamentos abafam essa chama. Persistir é necessário, até que a luz irrompa, curando feridas e dissolvendo ilusões.

É então que erguemos nossa bandeira no cume mais elevado: não como conquista sobre o mundo, mas como retorno à essência. Nesse instante, temos a experiência de que é no trono do Eu Superior — silencioso, luminoso e eterno — que repousa nossa verdadeira dignidade.

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