Árvores-Mães

As árvores-mães nos oferecem ensinamentos silenciosos, porém profundos, sobre cooperação, cuidado e interdependência. No silêncio das florestas, suas raízes tecem uma verdadeira rede subterrânea — uma teia viva de solidariedade e serviço mútuo, invisível aos olhos humanos, mas que pode ser sentida pelo coração.

Por meio dessa rede, as árvores-mães transferem nutrientes e água para outras árvores próximas, especialmente para aquelas que estão enfraquecidas ou ameaçadas. Fungos desempenham um papel crucial neste processo, atuando como canais de comunicação e facilitadores dessa ajuda mútua. É um sistema de cooperação natural, onde a força do todo se sobrepõe ao interesse individual.

Esse comportamento altruísta da floresta nos ensina sobre a importância do cuidado com o outro. Além de uma expressão genuína de compaixão, as árvores parecem compreender — em sua linguagem ancestral — que quando uma árvore adoece, toda a comunidade é impactada. Há uma sabedoria tácita sobre a Unidade, como se já tivessem integrado o entendimento de que a vida se sustenta em laços invisíveis de interdependência.

Podemos enxergar, nessa dinâmica silenciosa, uma lição para nós, seres humanos. Em uma sociedade marcada pelo egoísmo que fragmenta e sufoca, as árvores-mães nos convidam a resgatar o espírito da solidariedade, do apoio mútuo e do amor incondicional — aquele amor que se manifesta sem esperar retorno, apenas pelo simples prazer de servir.

“Faze o bem pelo amor ao bem, e não na esperança de uma recompensa. Sê bom pela alegria de ser bom, e não pela gratidão dos outros.”
Mirra Alfassa (A Mãe)

Precisamos aprender também a “ser raízes”. Mergulhar em nossa própria interioridade, buscar na fonte do Ser a seiva que nutre, cura e fortalece. É no recolhimento interior que florescemos como árvores frondosas que oferecem sombra, acolhimento e frutos generosos.

O convite é para transcendermos o imediatismo e as demandas superficiais da vida cotidiana, nutrindo o nosso interior para que nossas melhores sementes — talentos, virtudes e dons do espírito — possam romper suas cascas e alcançar a plenitude da expressão.

Vale lembrar: não é apenas alimento físico que uma árvore oferece. Ela compartilha também a beleza, a serenidade, a estabilidade. Assim também nós somos chamados a irradiar frutos espirituais — paz, compaixão, gentileza e solidariedade. Quando servimos desinteressadamente, contribuímos para curar não apenas aqueles ao nosso redor, mas também a nós mesmos.

“A ajuda à necessidade do próximo é uma febre que vai lentamente consumindo a alma inflamada de caridade divina.”
(Padre Pio de Pietrelcina)

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