• A Luz da Alma

    “Quando a luz da tua alma se fizer notar como um sol, não precisarás manter acesa a tua pequena lâmpada, pois tudo estará sob intensa claridade. Sempre terás a luz interior a iluminar-te; cuida para que continue forte e viva quando rajadas de vento tentarem apagá-la da tua consciência externa”
    (José Trigueirinho)

  • Os barcos sobem com a maré

    A travessia parece difícil. O vento muda de direção, carregando uma sensação tênue de perigo. A chuva fina e a névoa baixa turvam a visão, e, de repente, anoitece — como se perdêssemos a bússola do coração.

    Que fazer quando parece que a mão já não sustenta o leme?
    De onde trazer forças para reencontrar aqueles momentos de enlevo, de alegria verdadeira, quando tudo parecia ter sentido e as respostas fluíam da alma?

    É justamente nesse instante — quando os joelhos se dobram e o ego finalmente se rende — que a Luz irrompe. Um rasgo luminoso atravessa a escuridão por um breve segundo, mas é suficiente para indicar novamente a direção. O coração se aquece. Surge uma paz inesperada em plena turbulência.

    A Graça sempre chega. Na verdade, nunca se ausenta — somos nós que a perdemos de vista.
    Ela não responde a méritos, nem a lógicas humanas de justiça.
    Ela simplesmente se revela quando reconhecemos o poder silencioso da Presença.

    Às vezes, Ela chega disfarçada: numa palavra que contém tudo, num abraço que nos leva de volta ao essencial, num gesto simples que desperta a alma. Um olhar basta para iluminar a consciência.

    E então compreendemos algo precioso: nossa travessia nunca é apenas nossa.

    Assim como os barcos sobem com a maré, a consciência também se eleva coletivamente.
    A maré nunca sobe para um barco só. Quando se eleva, ergue silenciosamente todas as embarcações ancoradas na mesma enseada.

    Assim ocorre com a expansão da alma: quando um ser humano desperta para o mundo interior, cria uma onda sutil que se propaga. Essa onda alcança aqueles que compartilham o mesmo campo de experiência, tocando-os sem esforço, apenas por ressonância. Cada centelha de lucidez acesa em nós se converte em luz disponível para todos.

    A ampliação de consciência não é um movimento solitário — é uma maré.
    A alma tem consciência grupal, e quando assume o governo da vida, sua luz não beneficia apenas quem a acendeu, mas todos os que navegam pelas redondezas.

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